Há muitas palavras que representam sentimentos e atitudes humanas que são habitualmente usadas por todos nós, de maneira simples e com tanta certeza. Porém, será que conhecemos seu verdadeiro significado? Diante de alguns fatos diários de desrespeito de um ser humano em relação a outro, passei a pensar na importância do respeito. Isso mesmo, essa palavrinha que usamos quase que diariamente para diversas situações e que mal sabemos o quanto é medíocre nosso conceito sobre ela.Pensar sobre o respeito vai muito além de nossa capacidade de raciocínio de apenas 2 por cento do cérebro. Respeitar não é somente não desrespeitar. Respeitar não é simplesmente não fazer seu antônimo. Assim como gostar não significa apenas deixar de não gostar. Assim como amar não é abandonar o ódio, pois ainda existe a indiferença. Respeitar é uma atitude primordial nas (boas) relações humanas. E vai muito além de se omitir ao desrespeito.
Falamos sobre o respeito, como bons estudantes de Direito, em nossas aulas e, principalmente nas apresentações de trabalho, em frente aos colegas e para mover o coração do professor. Afinal, que palavra linda, não? Ela move montanhas, e nesse mundo moderno, onde aprendemos a aceitar pessoas e seres diferentes de nós, como os animaizinhos indefesos que encontramos pela rua, os homossexuais que lutaram tanto por seus direitos, os deficientes físicos e mentais que finalmente parecem ser considerados humanos também, as mulheres que constituem o sexo forte, de todos os ângulos, nesse novo mundo, a palavra respeito quando sai da nossa boca, nos torna ótimos cidadãos, que compreendem as situações alheias e que, certamente, se tornarão ótimos profissionais.
Mas, depois que saímos de dentro dessa mera utopia de respeito, deparamo-nos com as prostitutas da esquina e rimos. E pensamos que obviamente isso não é desrespeito, pois elas nem suspeitam do riso, nós nem gritamos “vagabunda, vai pra casa cuidar dos teus filhos” ou “vai achar um trabalho decente, sua puta” pela janela do carro, então é óbvio que não é desrespeito, e se não é desrespeito, fica claro que é respeito!
E quando vemos a senhorinha cheia de sacolas de mercado tentando atravessar a rua movimentada e não paramos o carro, ou passamos por suas costas sem ajudá-la a atravessar porque temos nossos compromissos tão importantes, nós não estamos a desrespeitando.
Quando aquele alcoólatra fedido e sujo nos pede dois reais pra comprar o pão para o filho e que é óbvio que é para mais um litro de cachaça e nós olhamos com cara de nojo e balançamos a cabeça em um não, porque não o consideramos nem digno de ouvir a resposta da nossa boca, nós não o desrespeitamos, porque poderíamos tê-lo surrado como ele faz com a mulher todos os dias. Poderíamos tê-lo mandado encontrar um serviço decente como o que nós temos. E não fizemos, por isso falamos em respeito.
E quando o portador do vírus da Aids senta do nosso lado no pronto atendimento e nós nos levantamos, quando a garota de programa chega com seu salto alto, senta do nosso lado na sala de aula e nós saímos para longe, quando a vendedora de doces nos abre aquele sorriso e nós nem a olhamos para dizer o grosso “Não, obrigada.”, quando não achamos importante conhecer a linguagem dos surdos-mudos para podermos conversar com eles, quando pensamos que nosso papelzinho será apenas mais um naquela rua tão suja de lixo, quando achamos que nossa descarga será a responsável por apenas mais 8 litros de água jogados fora nesse mundo com tanta água desperdiçada, quando vemos o cãozinho agonizando no meio da estrada e o consideramos infinitamente menor e mais desprezível que qualquer um de nós, quando preferimos o papel branco porque é mais bonito que o reciclável, quando vestimos aquela roupa caríssima e nem sabemos quantas crianças trabalharam injustamente em sua confecção, quando olhamos para aquele viciado em drogas e o chamamos dos mais belos nomes, quando consideramos o tráfico de drogas muitas vezes mais grave que um “homicidiozinho”; quando qualquer uma dessas situações, não raras, acontece, nossa concepção de respeito fica tão deflorada e hipócrita.
Porque nós estamos acostumados com conceitos e tudo o mais, prontos, mastigados. E nem paramos para pensar nos motivos que levam as pessoas a determinadas situações. Nem passa por nossas mentezinhas pequenas quantas vezes aquela imunda prostituta foi abusada sexualmente e quantos olhares dos pés à cabeça ela presenciou ao pedir um emprego no supermercado. Nem imaginamos os abusos trabalhistas ou as palavras negativas e ofensivas que aquele bêbado fedido ouviu do seu pai violento. Não sabemos o quanto de fome a garota de programa viu seus irmãos passarem e quantas vezes ela ouviu que nunca seria alguém na vida. Nem imaginamos as ameaças e pancadas que o traficante teve que passar e o medo de contar para alguém. E então nos deparamos com essas situações tão revoltantes para uma (boa) sociedade e nem nos lembramos de agradecer a Deus por nossa vida, aquele Deus do qual rimos todos os dias ao achar ridícula a escolha da colega que é crente e tem os cabelos despontados pela canela.
Sem querer ser pessimista ou desacreditar nessa humanidade esquisita que luta por Direitos Humanos, que prega pela dignidade da pessoa humana e grita bem alto por Liberdade, Igualdade e Fraternidade, sem querer pensar que não podemos melhorar, acredito que estamos longe de alcançar o verdadeiro respeito. Ainda falamos sobre ele como falamos sobre Júpiter, sem conhecer de verdade, tão superficialmente quanto quando falamos sobre o amor. E será apenas no dia que conhecermos o verdadeiro respeito pelos animais, pela natureza, pelas leis, por Deus, pelos pais, pelas criancinhas, pelos idosos, pelos desamparados, pelos moribundos, pelo homem, em geral, é que teremos força para mudar algo no mundo.

Oi Linda filha... Nao pude deixar de ler o texto sobre o Respeito. Quando falo de respeito por pessoas, sempre falo de respeito por mim mesmo. E obviamente, o respeito que tenho por mim é o respeito que terei pelos outros... Por essa razao, a Biblia diz: "Ama teu próximo como a ti mesmo..."e "perdoa-nos, como nós perdoamos aos nossos devedores..." A medida das coisas, das avaliações, sempre será nós mesmos... a pessoa que paga propina é a mesma que recebe, a pessoa com baixa auto estima, é aquela que irá achar que todo mundo está querendo destruí-la, e em contrapartida, irá usar as armas pouco convencionais, pra se sentir valorizada... se vendendo, se prostituindo, negociando o que não é negociável... a dignidade e o respeito por si própria. Por isso, respeitar a si mesmo, é em tese, respeitar os outros...
ResponderExcluir