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21 julho 2011

'Bem vinda à vida, Priscila.' Devo ter ouvido isto quando nasci. Mas o fato é que deveria estar ouvindo agora. Quando ando depressa de olho no relógio sem tempo algum pra perceber o vento nos meus cabelos, são raras as vezes que me distraio um pouco. E é tão nostálgica a lembrança de quando a coisa mais importante do teu dia era fazer o Ken se apaixonar pela Barbie outra vez, ou fazer com que os dois reatassem o relacionamento. Afinal, ela era tão complicada quanto você. Que bonequinha mimada! Agora você mal consegue reatar os teus romances, quando raramente os quer. Mal consegue pensar em alguém além de ti. Não que isso seja realmente um problema, neste mundo tão completamente egoísta, afinal, não há nada de errado em fazer o que todos fazem, não é? Ou há? Realmente, acho que ninguém parou pra pensar nisso. Confesso que eu entro na loja de brinquedos e fico parada por alguns instantes analisando cada uma das Barbies. E quantas Priscilas eu sonhei em ser, em uma só. Eu ainda sonho, na verdade isso tudo não é mera nostalgia infantil. É que estou me tocando de que o primeiro número da minha idade não é mais o um ou o zero. Bem vinda aos vinte anos, Priscila. Bem vinda à vida, aos horários, à distância das bonecas para todo o sempre, à urgência de escolher ser alguém. Ou talvez não. Não será impossível passar outra tarde em cima da árvore, sem teus brincos de pérolas e esse gloss labial que ela nunca exigiu. Mas não se esqueça de jamais deixar de questionar o que faz, de escrever o que sente, como um protesto que talvez ninguém leia, mas que faz toda a diferença pra você. Priscila, não seja assim tão egoísta, nade contra essa correnteza que carrega bilhões de pessoas. Porque agora o Ken aprendeu direitinho a conquistar a Barbie e você tem que aprender a conquistar o resto. Mas não olhe apenas o horizonte, esquecendo do vento, da árvore, do livro de historinhas engraçadas e de costurar umas roupinhas de bonecas com os retalhos. Não esqueça que foram elas que te proporcionaram as melhores sensações, e não essa correria nem tampouco esse mundo que exige tanto de ti. E não precisa se tornar mulher ainda, aliás, jamais deixe de ser menina.

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