Já tentei escrever um manual de instruções, mas quando estou na metade percebo que nada do início continua sendo verdade. Não que eu seja assim tão metamorfose, o problema é que quero ser e ter um pouco de tudo, é incrível. Não há um ser vivo nesse planeta que sirva pra meu namorado. Quando alguém tem aquele perfume forte e não enjoativo, escreve errado. Se é carinhoso, não consegue ter limites e se torna grudento demais. Quando é divertido, é gay ou insuportavelmente alcoólatra. Se é inteligente, é feio. É sério. Estou cansada disso. Porque inteligente pra mim tem que ter aquela mente refinada que me obriga a ler nas entrelinhas, que me força a ver o obscuro, ah como adoro isso! Eu não sou antiquada, mas adoro receber uma carta de vez em quando, isso mesmo: carta, escrita à caneta no papel branco, se é que você ainda sabe o que é isso. Cócegas, como elas são loucamente deliciosas. Por que ninguém mais sabe fazer? Guerra de travesseiros que acaba em beijos ardentes. Abraços fim de tarde que arrancam do peito todo o cansaço do dia e te fazem de esquecer dos aborrecimentos. Não sei nem como ainda sei que isso existe, não que eu seja aquela mulher de se viver assim tão longe a ponto de não conhecer nada do bom da vida, mas se não for pra pegar fogo eu nem deixo acender o palito. Não pense em bobagem, me refiro a todos os aspectos. O problema é que as mulheres estragaram tudo, elas se banalizaram, se futilizaram e agora os homens generalizam certas características abomináveis. E eu odeio fazer parte do geral, ah como odeio! Eu só quero um pouco do diferente, da raridade, das exceções, de alguém que não combine nada com os filmes, que seja tão real e tão intenso quanto eu, talvez um pouco menos pra não explodir e que saiba rir sem parecer idiota, que saiba chorar sem tentar ser o machão, que me retruque um pouco porque eu não aguento mais estar certa, que grite de vez em quando, que chute o balde e dê soco na parede pra não ser um amontoado de mágoas ambulante, que até seja bom de cama sem deixar que apenas isso faça com que lembrem dele, que me deixe ser melhor nisso, que me dê flores de vez em quando, mas daquelas que possam durar, plantadas em um vaso, que me dê muitos chocolates e nunca, jamais, tenha medo que eu fique gorda por conta disso, que me deixe continuar tendo vida depois dele, como amigos, um pouco de álcool, minha solidão, meus escritos e meus demais amores não homens. Quero alguém que não tenha medo de derreter na chuva e não saia correndo pra dentro quando ela cair, que goste de sentir areia, terra e água na roupa limpa, que ame crianças e que queira adotar uma, que não se aborreça de eu passar horas lendo ou outras horas agarrada em seu pescoço, que entenda que muitas vezes um cachorro vai ser infinitamente mais interessante que ele e que ame cachorros. Quero alguém que não se canse de me ouvir cantar no chuveiro e que tenha a liberdade de cantar muito no chuveiro, que me faça rir e que acorde primeiro que eu todos os dias pra me acordar com um bom dia risonho e assanhado, que não se importe de eu roubar as cobertas a noite toda e de eu querer abraçar só elas, que não considere a honestidade e o respeito antiquados como muitos hoje em dia, que queira me ver entrando na igreja, de branco, vel e grinalda. Quero alguém que não tenha medo do dinheiro e muito menos pena dele, mas que não seja irresponsável com seus gastos, que encontre um lugar pra ele em minha vida que jamais alguém ocupou, que não tente ser pai, mãe, irmão, amigo ou amante, mas que seja tudo isso moderadamente. Quero alguém que tenha sempre algo diferente pra comentar quando me ver, eu já cansei do linda e maravilhosa, é sério, eu quero alguém que saiba ou que se entregue à incontrolável vontade de aprender a dançar todo o tipo de música, certo ou errado, que não se importe de ter um piano na sala, nem mesmo uma biblioteca em casa, uma piscina e um jardim, três cachorros, um gato, uma enorme adega, um lindo closet e muitas pinturas, tampouco uma escultura e três crianças correndo em volta. Quero alguém que adore tirar fotos tanto quanto eu e que ainda suba em árvores, que seja muito do mundo e muito do sossego, que eu possa achar lindo mesmo daqui a vinte anos e que me ache estonteantemente linda daqui a quarenta. Quero alguém que respeite e entenda minhas batalhas, minhas dores e as dificuldades da vida, que não tenha uma vida tão fácil a ponto de ser fútil e nem tão difícil que o torne duro demais. Quero alguém que saiba me beijar na testa, na bochecha, no pescoço e na ponta do pé, não só na boca, que saiba que frequentar uma academia ou fazer exercícios físicos é uma questão de saúde, que não se importe com minha minissaia e que confie em mim. Que seja confiável, mais que qualquer coisa. Que esteja terrivelmente longe da perfeição, da obviedade, da monotonia e da burrice mórbida. Alguém que me ame, mas nunca mais do que a ele mesmo e que entenda que sou perdidamente apaixonada por mim.21 julho 2011
Já tentei escrever um manual de instruções, mas quando estou na metade percebo que nada do início continua sendo verdade. Não que eu seja assim tão metamorfose, o problema é que quero ser e ter um pouco de tudo, é incrível. Não há um ser vivo nesse planeta que sirva pra meu namorado. Quando alguém tem aquele perfume forte e não enjoativo, escreve errado. Se é carinhoso, não consegue ter limites e se torna grudento demais. Quando é divertido, é gay ou insuportavelmente alcoólatra. Se é inteligente, é feio. É sério. Estou cansada disso. Porque inteligente pra mim tem que ter aquela mente refinada que me obriga a ler nas entrelinhas, que me força a ver o obscuro, ah como adoro isso! Eu não sou antiquada, mas adoro receber uma carta de vez em quando, isso mesmo: carta, escrita à caneta no papel branco, se é que você ainda sabe o que é isso. Cócegas, como elas são loucamente deliciosas. Por que ninguém mais sabe fazer? Guerra de travesseiros que acaba em beijos ardentes. Abraços fim de tarde que arrancam do peito todo o cansaço do dia e te fazem de esquecer dos aborrecimentos. Não sei nem como ainda sei que isso existe, não que eu seja aquela mulher de se viver assim tão longe a ponto de não conhecer nada do bom da vida, mas se não for pra pegar fogo eu nem deixo acender o palito. Não pense em bobagem, me refiro a todos os aspectos. O problema é que as mulheres estragaram tudo, elas se banalizaram, se futilizaram e agora os homens generalizam certas características abomináveis. E eu odeio fazer parte do geral, ah como odeio! Eu só quero um pouco do diferente, da raridade, das exceções, de alguém que não combine nada com os filmes, que seja tão real e tão intenso quanto eu, talvez um pouco menos pra não explodir e que saiba rir sem parecer idiota, que saiba chorar sem tentar ser o machão, que me retruque um pouco porque eu não aguento mais estar certa, que grite de vez em quando, que chute o balde e dê soco na parede pra não ser um amontoado de mágoas ambulante, que até seja bom de cama sem deixar que apenas isso faça com que lembrem dele, que me deixe ser melhor nisso, que me dê flores de vez em quando, mas daquelas que possam durar, plantadas em um vaso, que me dê muitos chocolates e nunca, jamais, tenha medo que eu fique gorda por conta disso, que me deixe continuar tendo vida depois dele, como amigos, um pouco de álcool, minha solidão, meus escritos e meus demais amores não homens. Quero alguém que não tenha medo de derreter na chuva e não saia correndo pra dentro quando ela cair, que goste de sentir areia, terra e água na roupa limpa, que ame crianças e que queira adotar uma, que não se aborreça de eu passar horas lendo ou outras horas agarrada em seu pescoço, que entenda que muitas vezes um cachorro vai ser infinitamente mais interessante que ele e que ame cachorros. Quero alguém que não se canse de me ouvir cantar no chuveiro e que tenha a liberdade de cantar muito no chuveiro, que me faça rir e que acorde primeiro que eu todos os dias pra me acordar com um bom dia risonho e assanhado, que não se importe de eu roubar as cobertas a noite toda e de eu querer abraçar só elas, que não considere a honestidade e o respeito antiquados como muitos hoje em dia, que queira me ver entrando na igreja, de branco, vel e grinalda. Quero alguém que não tenha medo do dinheiro e muito menos pena dele, mas que não seja irresponsável com seus gastos, que encontre um lugar pra ele em minha vida que jamais alguém ocupou, que não tente ser pai, mãe, irmão, amigo ou amante, mas que seja tudo isso moderadamente. Quero alguém que tenha sempre algo diferente pra comentar quando me ver, eu já cansei do linda e maravilhosa, é sério, eu quero alguém que saiba ou que se entregue à incontrolável vontade de aprender a dançar todo o tipo de música, certo ou errado, que não se importe de ter um piano na sala, nem mesmo uma biblioteca em casa, uma piscina e um jardim, três cachorros, um gato, uma enorme adega, um lindo closet e muitas pinturas, tampouco uma escultura e três crianças correndo em volta. Quero alguém que adore tirar fotos tanto quanto eu e que ainda suba em árvores, que seja muito do mundo e muito do sossego, que eu possa achar lindo mesmo daqui a vinte anos e que me ache estonteantemente linda daqui a quarenta. Quero alguém que respeite e entenda minhas batalhas, minhas dores e as dificuldades da vida, que não tenha uma vida tão fácil a ponto de ser fútil e nem tão difícil que o torne duro demais. Quero alguém que saiba me beijar na testa, na bochecha, no pescoço e na ponta do pé, não só na boca, que saiba que frequentar uma academia ou fazer exercícios físicos é uma questão de saúde, que não se importe com minha minissaia e que confie em mim. Que seja confiável, mais que qualquer coisa. Que esteja terrivelmente longe da perfeição, da obviedade, da monotonia e da burrice mórbida. Alguém que me ame, mas nunca mais do que a ele mesmo e que entenda que sou perdidamente apaixonada por mim.
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