Pensando bem, é muito provável que eu seja capaz de fazer a maior parte do que dizem que faço. São admissíveis, de certa forma, as acusações, as difamações, as torturas psicológicas absurdas a que me submetem sem provas ou sem a mínima noção do que seja verossímil. Tenho plena capacidade psicológica de matar alguém, de torturar, de arrancar as unhas uma a uma, de amarrar em uma árvore e cortar fora os membros do corpo, de me prostituir compulsivamente, de me tornar uma alcóolatra violenta e insuportável, de injetar substâncias tóxicas diretamente na veia, de subir na mesa do bar a tirar a roupa de maneira inesquecível. Mas minha inclinação a todas essas atitudes moralmente desvirtuadas não deriva de alguma característica específica a minha pessoa. A aptidão que possuo internamente para produzir efeitos desastrosos aos demais seres da minha espécie e a mim mesma não resulta de anos de aperfeiçoamento em atos maldosos, nem mesmo de uma criação diferenciada ou de um trauma infantil que eu tenha, porventura, enfrentado. Claro que estas últimas circunstâncias majoram a amplitude das possíveis consequências e possibilidades dos atos de uma ou outra pessoa. Mas a capacidade maldosa e suja que existe em mim procede pura e simplesmente de minha natureza tão humana quanto a tua. E quaisquer que sejam minhas escolhas ao longo da vida, é plausível que se considerem todas elas inerentes a qualquer um da mesma sociedade em que vivo. Portanto, não negue tua gritante disposição a prejudicar a vida alheia escondendo-a por trás de um caractere um pouco mais acentuado que me é inato. Não recuse a tua própria consciência que te acusa toda vez que apontas ao outro o dedo ou a mão inteira. Certamente eu não divago mais na evidente utopia de que poderemos, em algum momento de nossa história, considerar ao próximo superior a nós mesmos; ou procurar por provas claras de uma acusação que poderá denegrir a imagem de outrem antes de espalhar aos quatro ventos o que ouvimos falar por boatos insignificantes. Mas, devido justamente a esta humanidade que me é congênita, ainda possuo a singular esperança de que alguns olhares sobre mim mudarão algum dia, depois de eu lutar incessantemente para progredir interna e externamente, afinal, é para isso que viemos ao mundo, eu, tu e todos os outros, para avançar.25 outubro 2011
Pensando bem, é muito provável que eu seja capaz de fazer a maior parte do que dizem que faço. São admissíveis, de certa forma, as acusações, as difamações, as torturas psicológicas absurdas a que me submetem sem provas ou sem a mínima noção do que seja verossímil. Tenho plena capacidade psicológica de matar alguém, de torturar, de arrancar as unhas uma a uma, de amarrar em uma árvore e cortar fora os membros do corpo, de me prostituir compulsivamente, de me tornar uma alcóolatra violenta e insuportável, de injetar substâncias tóxicas diretamente na veia, de subir na mesa do bar a tirar a roupa de maneira inesquecível. Mas minha inclinação a todas essas atitudes moralmente desvirtuadas não deriva de alguma característica específica a minha pessoa. A aptidão que possuo internamente para produzir efeitos desastrosos aos demais seres da minha espécie e a mim mesma não resulta de anos de aperfeiçoamento em atos maldosos, nem mesmo de uma criação diferenciada ou de um trauma infantil que eu tenha, porventura, enfrentado. Claro que estas últimas circunstâncias majoram a amplitude das possíveis consequências e possibilidades dos atos de uma ou outra pessoa. Mas a capacidade maldosa e suja que existe em mim procede pura e simplesmente de minha natureza tão humana quanto a tua. E quaisquer que sejam minhas escolhas ao longo da vida, é plausível que se considerem todas elas inerentes a qualquer um da mesma sociedade em que vivo. Portanto, não negue tua gritante disposição a prejudicar a vida alheia escondendo-a por trás de um caractere um pouco mais acentuado que me é inato. Não recuse a tua própria consciência que te acusa toda vez que apontas ao outro o dedo ou a mão inteira. Certamente eu não divago mais na evidente utopia de que poderemos, em algum momento de nossa história, considerar ao próximo superior a nós mesmos; ou procurar por provas claras de uma acusação que poderá denegrir a imagem de outrem antes de espalhar aos quatro ventos o que ouvimos falar por boatos insignificantes. Mas, devido justamente a esta humanidade que me é congênita, ainda possuo a singular esperança de que alguns olhares sobre mim mudarão algum dia, depois de eu lutar incessantemente para progredir interna e externamente, afinal, é para isso que viemos ao mundo, eu, tu e todos os outros, para avançar.
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