Tenho percebido que as palavras tentam escapar aos montes de dentro da minha mente, coração e de outros lugares desconhecidos. E, como me é de costume, preciso dar um jeito nelas, organizá-las, sistematizá-las, olhá-las como se estivessem fora de mim, até porque é isso o que acontece. Eu, vagarosamente, as transporto por esse corpo que parece tão pequeno diante da grandiosidade das palavras, e estas transcendem meu físico e se transformam pouco a pouco em uma singularidade que é o preto e branco da tela do meu computador ou de um pedaço de papel qualquer. Ultimamente elas têm se tornado desesperadas e, mais do que isso, desesperadoras, ao passo que não mais me deixam andar em paz quando estou cansada voltando do trabalho ou quando sento na varanda pra sentir o vento, elas me perturbam sem pedir licença. E aqui estou, escrevendo. Como se fosse a forma mais límpida de me livrar das milhares de letrinhas que dizem bem mais do que qualquer um poderia imaginar, mas expressam menos do que os sentimentos que representam. Coloco no papel bem mais do que fonemas ou combinações que podem ser lidas até por uma criança recém alfabetizada. Mais do que isso, eu me entrego ao papel, como se fosse a única forma digna de se dormir mais uma noite, gritando silenciosamente cada uma das voltas ao mundo que minha mente dá em cada palavra.


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