Para minhas amigas especiais:
As milenares indagações acerca do amor e suas acepções pareceram sempre tão inúteis para mim quanto as tentativas de paz mundial. Um assunto sobremaneira inalcançável e que, de tão amplo, me passava a desgostosa sensação de impotência. Mas percebi que é a minha própria ineficácia que a ele me mantém ligada, como se fosse o meu vazio inato que, sedento, do meu mais íntimo, clamasse por respostas, por sensações, por uma ligação forte o suficiente com o inatingível. E percebi, também, que cada uma de nós tem essa mesma fraqueza, esse mesmo vazio, essa mesma sede, claro, em medidas e intensidades tão distintas quanto nossos amores e dores, mas ligadas da mesma maneira com indagações idênticas e silenciosas. Em cada volta impercebível do planeta em torno do Astro-Rei e em cada vez que ele renasce autossuficiente ao nosso leste, há algo mais que renasce dentro de nós: a sede. E o café da manhã, o almoço, a janta, todas aquelas garrafas de água ou o café da faculdade não a matam. Ela continua em cada uma de nós, não importa o quanto o tempo passe, e não chegamos a ignorá-la, somos inteligentes o suficiente pra saber degustar a sede, por mais incongruente que pareça. A saboreamos minuto após minuto do dia, com ou sem estresse, com ou sem companhia, com ou sem os esqueletos inertes que costumamos chamar de amor. Juntas ou não, a sede é idêntica. Sede do desconhecido que parece que jamais será conhecido e exatamente por isso é excitante. Sede das perguntas milenares que tantos dizem não possuírem respostas, mas que, no mais íntimo, sabemos responder. Porque nós estamos ligadas por um fiozinho invisível às respostas mais procuradas durante milênios, porque nós acordamos diariamente sedentas pelas respostas e as encontramos sozinhas e sem muita pesquisa. Porque nós encontramos umas às outras e temos a certeza de ter, junto a isso, tomado conhecimento das indagações mais profundas acerca do amor. Nós estamos ligadas ao amor mais milenar quando nos ligamos entre nós, ou mesmo nas defeituosas tentativas de nos desligarmos. Por mais errado, por mais impuro e deformado que pareça quando o colchãozinho é tirado do chão ou quando falta uma ou duas xícaras de chá quente no inverno, temos a inatingível certeza de que há amor entre nós. Ou melhor, nós somos o amor.


Nenhum comentário:
Postar um comentário