Eu não sei em que momento do caminho eu deixei de ser menina e virei mulher. Talvez tenha acordado assim de um dia para o outro, mas acho difícil não ter percebido. Quem sabe perdi um pouco da meninice a cada dia, sem que alterasse repentinamente meu modo de ser. Mas eu queria ter podido sentir, queria ter observado isso acontecer, como se estivesse fora, mesmo com todas as sensações de dentro. É tão difícil não ser mais menina, é dolorido perceber que chegou a época que eu via de maneira tão longínqua, e o que é pior, sem poder ter visto a transformação.
Não sei se foram as mudanças, as culturas, os amigos infiéis, a rotina cansativa da busca pela independência financeira. Nem me passa pela cabeça terem sido algumas paixões ou não, as puxadas de orelha dos pais, dos chefes ou da vida.
Mas eu me tornei mulher e nem tinha planejado isso. Eu sabia que teria idade de mulher um dia, corpo de mulher, profissão de mulher, salário de mulher, mas jamais imaginava ser uma. E ser é mais profundo, é de longe muito mais impactante que todo o esteriótipo.
E eu ainda não sei o que fazer com isso.


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