Eu tive que aceitar desde cedo que recebi mais sentimentos, curiosidade e vontade do que outras 10 crianças juntas e aprendi sozinha a organizar tudo isso, foram cadernos e mais cadernos escritos do início ao fim, com rabiscos e desenhos nos rodapés. Alguns continham até índice. Outros dispuseram de desenhos de anjos com asas, auréolas e nomes próprios, como se algum dia eu tivesse morado no céu. E ninguém sabe ao certo. Eu precisava escrever, poemas, rimas, sonetos, histórias, músicas. Eu precisava tocar instrumentos, aprender idiomas e fazer ballet, precisava me perder em um palco representando inúmeros personagens em frente a uma multidão, eu precisava criar tudo o que não existia, dar nome às árvores e aos pés de alface, conversar com a grama crescendo, eu precisava expressar aquilo tudo que me fora dado com tanta confiança quando nasci. E é por isso que tantas vezes me excedi e disse mais do que deveria, gritei mais alto do que poderia, amei mais do que tinha capacidade, acreditei mais em mim ou nos outros do que era esperado, odiei com mais força do que o normal, fui mais e mais autêntica a cada minuto da minha vida para fazer jus à personalidade confusa, porém eletrizante que me havia sido dada. É por isso que a maioria das rodas de conversa me cansam, como se ninguém fosse suficientemente completo pra me proporcionar um aprendizado comparável ao que cada momento da minha infância me deu. É por isso que prefiro sentar sozinha com meus pensamentos milenares e apaixonantes do que ouvir sobre base líquida para a pele ou sobre que cor de vestido usar na próxima sexta à noite. Eu prefiro mil vezes ler um livro do que sentar em um bar para apostar quem bebe ou beija mais na noite. Eu escolho aquilo que me acresce, escolho o que me deixa maior por dentro, o que alonga a minha capacidade cerebral, espiritual e emocional, eu escolho fazer musculação e sentir cada pedaço do meu corpo querendo viver mais ainda, escolho pedalar no ritmo da música, correr sentindo o cheiro do ar inodoro entrando por minhas vias aéreas e me proporcionando a felicidade inconfundível de permanecer por mais um segundo mesmo quando tudo parece perdido. Eu escolho caminhar de salto alto nos corredores repelindo os olhares maldosos e sentindo as más emoções alheias rebaterem minha pele de aço e voltarem para o lugar de onde vieram. Eu prefiro sistematizar os sentimentos, fazer piada das tristezas, aprender com as revoltas, senti-las em cada centímetro que possuem para depois saber o que fazer com elas. Prefiro ao quadrado a solidão sadia e a escolho toda vez que percebo que uma multidão me ensina muito menos. Prefiro o quanto uma oração ao pé da cama me acrescenta mais do que pessoas invejosas cuspindo frustração ao meu redor. Eu escolho sentir, aprender, ensinar, absorver tudo o que me for possível e vantajoso. 25 outubro 2011
Eu tive que aceitar desde cedo que recebi mais sentimentos, curiosidade e vontade do que outras 10 crianças juntas e aprendi sozinha a organizar tudo isso, foram cadernos e mais cadernos escritos do início ao fim, com rabiscos e desenhos nos rodapés. Alguns continham até índice. Outros dispuseram de desenhos de anjos com asas, auréolas e nomes próprios, como se algum dia eu tivesse morado no céu. E ninguém sabe ao certo. Eu precisava escrever, poemas, rimas, sonetos, histórias, músicas. Eu precisava tocar instrumentos, aprender idiomas e fazer ballet, precisava me perder em um palco representando inúmeros personagens em frente a uma multidão, eu precisava criar tudo o que não existia, dar nome às árvores e aos pés de alface, conversar com a grama crescendo, eu precisava expressar aquilo tudo que me fora dado com tanta confiança quando nasci. E é por isso que tantas vezes me excedi e disse mais do que deveria, gritei mais alto do que poderia, amei mais do que tinha capacidade, acreditei mais em mim ou nos outros do que era esperado, odiei com mais força do que o normal, fui mais e mais autêntica a cada minuto da minha vida para fazer jus à personalidade confusa, porém eletrizante que me havia sido dada. É por isso que a maioria das rodas de conversa me cansam, como se ninguém fosse suficientemente completo pra me proporcionar um aprendizado comparável ao que cada momento da minha infância me deu. É por isso que prefiro sentar sozinha com meus pensamentos milenares e apaixonantes do que ouvir sobre base líquida para a pele ou sobre que cor de vestido usar na próxima sexta à noite. Eu prefiro mil vezes ler um livro do que sentar em um bar para apostar quem bebe ou beija mais na noite. Eu escolho aquilo que me acresce, escolho o que me deixa maior por dentro, o que alonga a minha capacidade cerebral, espiritual e emocional, eu escolho fazer musculação e sentir cada pedaço do meu corpo querendo viver mais ainda, escolho pedalar no ritmo da música, correr sentindo o cheiro do ar inodoro entrando por minhas vias aéreas e me proporcionando a felicidade inconfundível de permanecer por mais um segundo mesmo quando tudo parece perdido. Eu escolho caminhar de salto alto nos corredores repelindo os olhares maldosos e sentindo as más emoções alheias rebaterem minha pele de aço e voltarem para o lugar de onde vieram. Eu prefiro sistematizar os sentimentos, fazer piada das tristezas, aprender com as revoltas, senti-las em cada centímetro que possuem para depois saber o que fazer com elas. Prefiro ao quadrado a solidão sadia e a escolho toda vez que percebo que uma multidão me ensina muito menos. Prefiro o quanto uma oração ao pé da cama me acrescenta mais do que pessoas invejosas cuspindo frustração ao meu redor. Eu escolho sentir, aprender, ensinar, absorver tudo o que me for possível e vantajoso.
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Não sei se já li algo que fizesse tanto sentido pra mim. Acho que não.
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